Filisteu
4.26.2004
  Nova Mudança: http://www.insanus.org/filisteu. Alterem seus bookmarks e blogrolls para Filisteu usando o novo endereço de Filisteu. Entenderam onde é o novo Filisteu? Obrigado. Ass.: Filisteu
9.30.2003
  Endereço Novo

Me mudei para um novo endereço novo. Anotem: agora é http://filisteu.blogger.com.br/. Aproveitem os arquivos. Os que ainda visitam este site, por favor, deixem comentários explicando como chegaram aqui e por que vivem voltando para esta mensagem de mudança que nunca muda. Bem, quase nunca muda. Mudou agora. 

  Nada como o tempo para dar perspectiva

Cinco anos atrás, a Slate fez uma estimativa do Kofi Annan seguindo seu sucesso em instalar inspetores no Iraque. Annan, um homem decente, estava reconciliando os EUA e a ONU e ajudando a destruir as armas de um ditador malvado. Era como se o mestre do picadeiro fizesse seu serviço e ainda substituisse um malabarista doente. A Slate disse:

More important, Annan accomplished all this in a way that brought glory to the United States: He announced--emphatically--that the negotiations would have been fruitless without the U.S. military threat. The United States gains credit for diplomatic restraint; the United Nations gains credit for keeping the peace; the will of the U.N. Security Council is enforced; and the destruction of Iraqi weapons continues. Even if Iraq reneges on the agreement--which is likely--the United States has lost nothing but time: There will be far more support for bombing if Hussein flouts Annan than there was when Hussein was simply flouting Clinton."

Sempre é bom poder testar estas hipóteses. Talvez eu devesse escrever para o David Plotz e pedir um follow-up. 

  Mais Caça-Vampiros

Era uma moça multi-facetada. Estudiosa. Sedutora. Ingênua. Triste. Podia ser até comunista sem perder a graça. Às vezes não era ela mesma.

Buffy Anne Summers. She saved the world. A lot.

Depois das 23:00 horas desta noite, vai ser eterna. 

  Soneto CXXX ao som da marcha fúnebre

My mistress' eyes are nothing like the sun
Coral is far more red than her lips' red:
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damask'd, red and white,
But no suchs roses I see in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound:
I grant I never saw a goddess go, --
My mistress, when she walks, treads on the ground:
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare. 

9.29.2003
  Desgraça alheia é fortuna pro leitor, mas não pra platéia

Mortes de celebridades acabam trazendo à tona bons textos dos arquivos de revistas. O falecimento do Elia Kazan hoje faz a Reason destacar Hollywood's Missing Movies, sobre a relação menos que saudável entre Hollywood e a Guerra Fria. O texto detalha bem a quantidade absurda de crápulas que "não se importavam com a gulag, desde que estivessem cuidando dos portões" que são celebrados hoje como heróis da Liberdade de Expressão.

Isto não quer dizer que perseguições injustas não aconteceram, ou que a lista negra não foi injusta. Demissões impróprias, pecados da juventude arrastados para o público, suspeitas infundadas arrasando carreiras; os efeitos foram majoritariamente negativos. Mesmo canalhas têm o direito de expressar suas opiniões -- na verdade, é o discurso mais vil que precisa ser defendido, pois é o primeiro a ser atacado.

O artigo destaca, no entanto, uma parte substancial das violações da liberdade de expressão alheia perpretada pelos membros do PC americano. A traição pura e simples é o material que alimenta os discursos mais exagerados sobre o Comunismo, mas o mais interessante é a quantidade de filmes cuja produção os comunistas impediram, e os profissionais com agentes simpatizantes que foram prejudicados. Seria interessante ver o texto avançar mais sobre esta "lista vermelha" hollywoodiana.

O artigo vale a pena, mais do que nada, pelos primeiros parágrafos. Eu estou com sono e algo desatento, mas a vividez do texto quase me fez abrir o IMDb para procurar o filme.

(Incidentalmente, um dia eu planejo acabar com este silêncio fazendo um filme de ação chamado "Lenin", que mostra o jovem Vladmir jurando vingança depois da execução do irmão, suas orgias no trem que o levou de volta à Rússia e chegando no clímax com sua batalha com Kerensky, o filho do seu professor de escola que tentava ensinar ao jovem Vladmir o valor da liberdade.)

P.S.: Mais coisas sobre o Kazan, desencavadas e recicladas por aí, na Slate e no Weekly Standard

9.28.2003
  Carreira

Este comentário na Conspiração Volokh sobre esta coluna acertou em cheio nas minhas expectativas de carreira para os próximos anos. O texto é sobre os problemas que conservadores têm para progredir na academia, onde o mercado de trabalho pende horrivelmente para esquerda. Eu me considero um cara de centro, moderado em termos de política, mas firme em defender alguns pontos. Não sou nenhum radical ou intransigente, tendo mudado algumas posições em ambas as direções do espectro político.

Minhas intenções de seguir a carreira acadêmica, no entanto, esbarram no quadro acadêmico brasileiro, que é ainda mais grave que o americano. Se lá é problema ser conservador, aqui a ausência de tendências francamente de esquerda seria problemática para desenvolver um trabalho de mestrado. Entre os meus professores, não consigo contar um único que seja de direita ou mesmo de centro. (Bem, talvez um. Mas só um, talvez.) Dois têm simpatias sionistas, e por isso são vistos como "de direita" ou até "reaças", mas ambos são de esquerda. Entre aqueles que tem doutorado e mestrado, alguma forma de Marxismo é regra em seus trabalhos.

Isto não quer dizer que todos os professores sejam intolerantes com visões um pouco a direita das suas, ou se indisporiam a trabalhar com um aluno mais próximo do centro como eu. Não vou acabar na rua com um cartaz dizendo "Escrevo dissertação por comida". No entanto, se meus estudos se desviarem um pouco para uma área politicamente sensível, não consigo imaginar como formar uma banca sem ter que convidar autores estrangeiros para não ser castigado.  

9.27.2003
  Palavra de Ordem

Dado a presença constante de traduções neste blog, achei que o novo sub-título cabia melhor. 

9.25.2003
  Yay!

Anteontem eu li um editorial muito bom sobre a relação do Arafat com a KGB. Foi escrito pelo General Ion Mihai Pacepa, ex-diretor do Serviço de Inteligência da Romênia, o oficial mais graduado a desertar do antigo bloco sociético. Traduzi a jato, e agora Arafat: o homem da KGB foi publicado lá no Mídia sem Máscara. Como minha tradução foi enviada ao mesmo tempo que outra tradução do mesmo texto, as duas foram fundidas em uma só pela editora. Uma provinha do texto:

Antes de minha deserção da Romênia para a América, deixando meu posto de chefe da inteligência romena, eu era responsável por dar a Arafat cerca de U$200.000 em dinheiro lavado a cada mês durante os anos 70. Eu também mandei dois aviões de carga para Beirute por semana, cheios de unifrmes e suprimentos. Outros estados do bloco soviético fizeram o mesmo. O terrorismo foi extremamente lucrativo para Arafat. De acordo com a revista Forbes, ele é hoje o sexto mais rico entre os "reis, rainhas e déspotas" do mundo, com mais de U$300 milhões guardados em contas na Suíça.

A versão original do texto se encontra aqui

  Óbito

Agora que o Edward Said morreu, tenho pena de quem vai ter aula com algum daqueles psicopatas que se auto-denominam "críticos de Israel" enquanto repetem críticas que variam de histórias há muito desmentidas (como o massacre de Jenin, que não aconteceu) até acusações graves e racistas (como as tentativas de igualar Israel e o III Reich).

Para estes, eu sugiro que se preparem para um panegírico de Said lendo sobre o fim da crítica Orientalista na Reason e ese desmonte do Said feito pelo Ibn Warraq.

P.S.: Para ser construtivo, também é bom ler os clássicos

  Organismo em Defcon-3

Merda. É possível -- só possível -- que eu esteja com uma virose que causa epidérmicas temporárias. Amanhã, odisséia para o médico me dizer que é apenas alergia a lésbicas escandalosas ou pós-modernismo na academia. Se bem que eu já fui exposto a estes dois males antes, repetidamente, e não desenvolvi nenhum sintoma.

Mas considerando que pode não ser a alergia que eu gostaria que fosse, e a veterinária que me examinou hoje de noite disse sugeriu uma doença contagiosa. Os sintomas são consistentes, mas não é nada de grave. Inclusive, ela sugeriu seriamente que outras pessoas peguem a doença.

Eu ando fazendo exercícios físicos também. É outra alergia possível.

Defcon-4: Acabo de voltar do médico. Ao que parece, era realmente apenas uma alergia. Vou me encher de remédios, mas ainda falta descobrir o que provocou a reação. Acho que foi matar aula sem culpa. É uma coisa que eu nunca faço, e foi de depois de experimentar, minha barriga se enche de pequenas máculas vermelhas. Agora, até meu organismo é nerd. 

9.23.2003
  Consumismo

Cá estava eu, refletindo sobre a grana que eu pretendo gastar na Feira do Livro, quando a Carol me mostra isso. Milo Manara fazendo Desejo! P. Craig Russell fazendo a Morte! Glenn Fucking Fabry fazend o Destruição. Maldita, maldita, maldita seja, Ms. Andreis. Agora eu vou gastar ainda mais dinheiro em outubro.

Pelo menos não para de aparecer serviço. Apareceu um agora, enquanto eu escrevo este post. 

  Assunto mais surrado que cubano pró-democracia

Quando não se tem nada mais para falar mal em um dia parado, sempre é bom falar de Cuba. Enquanto o Oliver Stone está prestes a lançar um filmete sobre como o Fidel é uma espécie de paizinho benevolente para Cuba, é bom lembrar coisas assim:

One imprisoned Cuban dissident, Juan Carlos Gonzalez Leyva - the blind lawyer and the president of the Human Rights Foundation in Cuba - recently wrote to his wife describing how another inmate frequently tosses sawdust mixed with an unidentified skin-irritant into his cell, which "gives me the sensation of millions of bugs constantly running all over me . . . these are catacombs where people scream, but the sound is drowned out by a hermetically sealed door".

Mr Leyva was abducted last year by state security agents who took away his cane, abandoned him in some bushes, and then re-arrested him when he stumbled back to the road: he was jailed for "public disorder".

É nessas horas que é bom ouvir o MESTRE Vaclav Havel, junto com seus colegas do outro lado da Cortina de Ferro:

É responsabilidade do mundo democrática apoiar os representantes da oposição cubana, sem se importar com quanto tempo os stalinistas cubanos consigam se agarrar ao poder. A oposição cubana deve ter o mesmo apoio internacional que tiveram os representantes de oposição política na Europa tiveram enquanto ela estava dividida.
 
9.21.2003
  Sem margens nem confins

Só o Italo Calvino consegue fazer os personagens gritar "G'd(w)n! G'd(w)n!" sem ser ridículo. Não é por nada que aquele livro inspira arte assim.

E eu ainda acho que o nome do protagonista, "Qfwfq", tem algo de obsceno. 

  Em resposta ao último post

O Solon responde a meu post sobre transgênicos de modo inteligente. Não concordo com todos os problemas que ele aponta -- não por considerá-los falsos, mas por achá-los aceitáveis. Aliás, o Solon devia ter um blog próprio. Faz falta uns blogs de esquerda com noção por aí.

Bem, aqui está a resposta dele:

os problemas da soja transgênica são os seguintes:

  1. não tem nenhum estudo científico duradouro confiável sobre possíveis surgimentos de bactérias mutantes ou coisa parecida. é algo que nunca impediu outros tipos de culturas, mas existe.

  2. não existe nenhum sistema eficiente de defesa de lavouras não-transgênicas de serem contaminadas por lavouras transgênicas vizinhas.

  3. a possibilidade de monopólio. quem produz soja transgênica são gigantescas transnacionais, como a Monsanto e a Pioneer. consta que a estatal brasileira de agricultura vai poder produzir semente transgênica ainda esse ano.

e o problema é o seguinte: a Monsanto, por exemplo, patrocina o agricultor que quiser plantar a Roundup Ready. eles dão a semente, os implementos, o Roundup, tudo, pra ser pago em pequenas prestações e taxas no lucro conseguido com as lavouras. junto com isso, eles são capazes de vender as sementes por preços mais baratos para derrubar a competição "orgânica", o famoso dumping.

pra piorar a situação, os contratos dos agricultores são de longo prazo, tempo em que eles se comprometem a plantar transgênico. ou seja, se resolverem voltar atrás, não podem. mesmo que voltem atrás, conseguir reciclar o solo para poder voltar a plantar efetivamente "transgênico-free". e como se isso não fosse suficiente, como eu disse ali em cima, não há proteção das lavouras vizinhas de serem contaminadas por cruzamento com as lavouras transgênicas.

em suma, o verdadeiro problema da história é ecológico e econômico. ecológico porque, obviamente, a variedade de lavouras mundo afora diminui com o gigantesco domínio que a Monsanto teria no mercado. e econômico porque uma multinacional gigante pode vir a ter o monopólio da lavoura de soja (ou de arroz, ou qualquer outra lavoura transgênica) fazendo "dumping" e coisas do tipo, pretty much no estilo da nossa amiga Microsoft.

 
9.19.2003
  Hippies comem tofu de soja transgênica?

Depois de ler Will Frankenfood Save the Planet?, um artigo na The Atlantic do mês que vem, eu fiquei encafifado. O artigo fala das possibilidades ecológicas da agricultura transgênica e do uso de biotecnologia para ajudar a salvar o mundo.

Admitidamente, eu sou um tanto tanso quando o assunto é ecologia, agronomia e correlatos. Prefiro deixar este tipo de coisa para aquele grupo de pessoas que eu chamo de "bando de hippies". Só que um ponto aguçou meu interesse.

O artigo toca, sem a histeria que caracterizou o debate por aqui, na soja transgênica da Monsanto, a Roundup Ready. Eu não acompanhei muito o debate, mas o artigo descreve o produto da Monsanto, demonizado por aqui, como fazendo o seguinte: requer o uso de um herbicida (o Roundup) que se degrada em produtos químicos não-agressivos e permite um plantio sem necessidade de arar a terra, o que diminui a destruição ambiental e contaminação da água causada por toda agricultura.

Sim, até a agricultura orgânica, seus hippies.

Então, pelo que dá para entender, esta seria uma opção inteligente, produtiva e ecologicamente correta para produtores de soja. Precisa de menos espaço, menos produtos químicos, menos combustível fóssil para tratores, enfim, menos impacto ambiental. Devia ser aplaudido por ativistas e ambientalistas pelo mundo todo.

Alguém poderia me oferecer uma explicação sobre os problemas da Roundup Ready sem cair no anti-racionalismo que condena a biotecnologia per se, sem discutir seus possíveis méritos. Não me digam que o mundo não precisa de mais comida, ou deêm respostas vagas sobre como não se sabe bem o que a lavoura geneticamente modificada pode causar -- o primeiro homem das cavernas que acendeu uma fogueira não tinha idéia de como apagar aquele troço. Também não vale falar em destruição do solo e da fauna subterrânea -- enriquecer e desenvolver aqueles bichos nojentos que vivem embaixo da terra é um dos objetivos da agricultura sem uso de arado.

Em suma, o que é que eu não estou enxergando? 

  A Coroa Espectral do Homem Iluminado ou algo assim

Eu acabo de ler The Crystal World, do J.G. Ballard, mas não poderia tirar meu pai da forca se fosse forçado a explicar o romance.

Sim, eu sei o que aconteceu. A selva começou a se cristalizar no meio da República de Camarões, e um médico de leprosos foi para lá procurando uma microbióloga com quem ele teve um caso.u lembro do padre Balthus, do duelo Ventress e Thorensen, da jornalista, dos leprosos, a imagem terrível do Dr. Radek implorando para voltar para dentro da selva de cristal.

O que eu seria incapaz de identificar são os temas subjacentes, metáforas, etc. Eles estão lá, dá para sentir eles pulsando como os músculos dos crocodilos sob suas carapaças de esmeralda. Ler sobre o assunto não adianta: cada um que fala sobre o livro parece estar tocando em um romance diferente sobre a cristalização da selva. Pessoalmente, estou disposto a aceitar o livro apenas como "arte pela arte", uma boa oportunidade para as descrições mesmerizantes sobre a luminosidade da selva.

Deve haver mais.

Então, em um esforço para ser educado, faço o seguinte: quem quiser ler O Mundo de Cristal, eu tenho uma cópia extra. Quem quiser, basta pedir. Deixe um comentário neste post ou me escreva. Depois de ler o livro, me diga o que achou. Caso ninguém se manifeste, vou "liberar" ele em algum armário de biblioteca ou mesa de McDonald's. 

  Depois da Matrícula

Uma coisa que alunos da UFRGS ouvem volta e meia de quem não conhece aquela santa instituição é que, se você é aluno da graduação, "não dá para trabalhar". O motivo seria que "os horários são malucos". Pelo menos no curso de Comunicação, não é verdade. Conheço gente que nunca teve problemas para trabalhar desde o primeiro semestre de faculdade e ainda vai se formar no tempo mínimo necessário do curso. Vejamos o meu horário:

SegundaTerçaQuartaQuinta
08:30 Sem. de Educação
09:30 Sem. de Educação
10:30 Org. Proj. em Com.
11:30 Org. Proj. em Com.
13:30 Lab. de Criação
14:30 Lab. de CriaçãoLab. Com. Gráfica
15:30 Lab. de CriaçãoLab. Com. Gráfica
16:30 Lab. de CriaçãoLab. Com. Gráfica
17:30 Lab. de CriaçãoLab. Com. Gráfica
18:30Som Adm. de ContasCampanhas
19:30Som Adm. de ContasCampanhas
20:30 Redação IVCampanhas
20:30 Redação IVCampanhas

Parece bizarro, mas todas as cadeiras que estão na tarde ou na manhã são eletivas ou possuem uma opção noturna. Daria perfeitamente para eu arranjar um emprego ou um estágio decente se eu não fosse preguiçoso e vagabundo, odiasse menos a carreira que escolhi no vestibular e tivesse cara-de-pau e paciência para procurar alguma coisa.

Tudo bem. Ano que vem eu trabalho DE VERDADE com algo que não tenha a ver com publicidade & propaganda. 

9.17.2003
  Publicando

Aquela entrevista-fake que fiz com o autor da "História Geral do Anti-Semitismo" saiu na FRAUDE. Postado em algum lugar aí embaixo, está a versão original. A versão na Fraude está melhor, graças ao input muy leal y valoroso do Bruno

9.16.2003
  O Ken é daquele jeito porque a circuncisão deu errado

Os sauditas é que sabem lutar contra a globalização: a polícia religiosa acaba de declarar que a boneca Barbie está proibida. Motivo: ela é judia. Viu? Os sauditas estão enfrentando com seriedade a ameaça do cosmopolitismo aos seus costumes anscestrais. 

  Uma Conspiração Russa tão vasta

Antigamente, a Conspiração Volokh crescia absorvendo blogs de outros professores universitários. O blog do David Bernstein, por exemplo. Ou o do Jacob Levy. Mas agora ela está se expandindo. O Tyler Cowen, único economista da conspiração, começou a Revolução Marginal . É tão inteligente quanto o blog cheio de ADEVOGADOS onde Mr. Cowen começou.

Antevejo que minhas opiniões vão se deslocar ainda mais para esse anarquismo de direita que pulula na blogosfera americana e em revistas como a Reason. Aliás, a entrevistou o Cowen sobre os benefícios advindos da globalização. Viu? Está ficando cada vez pior. 

9.14.2003
  O Colonialismo acabou cedo

Enquanto eu ganhava uma partida de Imagem & Ação o exército deu um golpe em Guiné-Bissau. Tenho medo de jogar outra partida e ver o Senegal perder seu caminho. 

9.11.2003
  Lembra

Lembrem-se do Chile, também. Mas não esqueçam de Manhattan.
 
  O Washington Post Explica:

...The Problem With the French ...

I began by assuring M. Gaymard that confrontation and controversy were the last things on my mind; that my role was conciliatory; that my questions were designed to elicit an open and frank exchange of views, so vital to the healing process. The minister inclined his head graciously, and I began.

"I think we can both agree that the diplomatic situation between our two nations is both regrettable and unnecessary . . . Perhaps the worst part is that it has resurrected in the United States some ugly, unfair, inaccurate and totally unsupportable stereotypes about the French. You know: that you are elitist, that you are rude, that you are cowards, that you have an insufferable air of superiority, that your fashion shows are nothing more than elaborate parades of clown costumes . . ."

The minister waited for translation.

". . . that your movies are long and boring and unbearably pretentious, that you lack personal hygiene and let your dogs poop all over the streets, and indeed, that your national pet, the poodle, is a ridiculous life form better never to have survived the evolutionary process."

The minister shifted slightly in his chair.

"I will not insult you, or dignify these preposterous, obviously untrue stereotypes by asking you to respond to them. But I was just wondering if the French have any equally preposterous and obviously untrue stereotypes about Americans that you might enumerate here for the purpose of my not dignifying them with a response."

As I awaited his answer, it occurred to me that, yes, diplomacy is a difficult and subtle art. But one must try to do one's part.

 
9.10.2003
  Abaixo

O post aí abaixo é minha tradução deste artigo na Reason sobre os subsídios agrícolas e a reunião da OMC em Cancun. Sobre o mesmo assunto, é bom dar uma lida na coluna de hoje da Anne Applebaum no WaPo.

Ok, meus últimos quatro posts foram gigantescos. Melhor relaxar um pouco antes que apareçã alguém neste blog atrás de pornografia+de+Gerald+Messadié+torturando+freiras+por+causa+de+subsídios+agrícolas. 

  Ilusões de Cancun
Matando os pobres de subsídio

Ronald Bailey
10 de Setembro, 2003

Cancun, México--A quinta reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio acontecerá amanhã neste resort caribenho rodeado de praias de areia branca. Pulando do avião, eu corri imediatamente através dos bloqueios policiais para o "teach-in" anti-globalização sendo promovido pelo Fórum Internacional sobre Globalização (IFG). Eu estava ansioso para ouvir o que estes anti-globalizantes passionais teriam a dizer sobre subsídios agrícolas. Por quê?

Porque a conquista mais importante deste ministerial da OMC seria progresso substancial na direção de um comércio verdadeiramente livre de bens agrícolas. Este é o compromisso central da chamada Rodada de Desenvolvimento que foi lançada em Doha, Qatar, dois anos atrás. Liberalizar o comércio agrícola mundial é vital porque a maioria das pessoas vivendo nos países mais pobres ainda são fazendeiros. Trazer estes fazendeiros pobres para o sistema de comércio mundial permitirá que eles deêm os primeiros passos para cima na escada do desenvolvimento econômico. Das cerca de dois bilhões de pessoas que vivem com menos de U$2 por dia no mundo, a maioria vive em comunidades rurais.

No entanto, o acesso aos mercados mundiais está bloqueado por políticas protecionistas dos países mais ricos do mundo, a Unuião Européia, os Estados Unidos e o Japão. Estes países despejam mais de 300 bilhões de dólares em subsídios nos seus fazendeiros por ano. Esta dádiva significa que a vaca européia média recebe um subsídio infame de U$2,50 dólares por dia. Conseqüentemente, fazendeiros nos países sub-desenvolvidos e em desenvolvimento sofrem um ataque duplo--os subsídios de países ricos mantêm os preços mundiais artificialmente baixos de modo que fazendeiros pobres não podem competir nos mercados mundiais; países ricos então despejam seu excesso de produção agrícola subsidiada nos mercados locais dos países pobres. O New York Times editorializou recente e corretamente que esta situação não é apenas injusta, ela é "imoral" também.

É imoral mesmo. A falta de livre comércio e subsídios agrícolas nos países desenvolvidos está literalmente matando pessoas, de acordo com um relatório recente do Centro para uma Nova Europa (CNE), de Bruxelas. O CNE diz que "6.600 pessoas morrem todos os dias no mundo por causa das regras de comércio da União Européia (EU). São 275 pessoas a cada hora." Imagine isso como derrubar um Boeing 747 cheio de gente a cada hora, 24 horas ao dia.

A EU está longe de merecer sozinha a culpa desta tragédia. Quando os preços dos grãos caíram, a Administração Bush abandonou o programa Liberdade para Plantar (Freedom to Farm) que estava eliminando a maioria dos subsídios agrícolas americanos, Para satisfazer o lobby ruralista eleitoralmente importante, Bush aumentou os subsídios em 175 bilhões de dólares nos próximos dez anos.

O Instituto de Pesquisa de Política Alimentícia Internacional, com base em Washington D.C, conclui recentemente que "protecionismo e subsídios por nações industrializadas custam cerca de 24 bilhões de dólares anualmente em renda agrícola e agro-industrial para os países em desenvolvimento." Para por este número em perspectiva, números da OMC mostram que os cerca de 40 países menos desenvolvidos exportaram um total de 38 bilhões em bens durante 2002. Isto é uma gota no baldeç em 2002, o valor total de exportações de mercadorias foi de 6.240 bilhões (ou 6,24 trilhões em bom português).

O relato do CNE conclui que a África em particular sofre com os subsídios dos países desenvolvidos. O quão desesperadora é a situação na África sub-saariana fica claro com os cálculos do demógrafo inglês Angus Maddison que o produto doméstico bruto anual médio da região é de $450 por pessoa. Maddison aponta que esta era a renda média de um cidadão do Império Romano. Em outras palavras, a África sub-saariana essencialmente não fez nenhum progresso econômico nos últimos 2000 anos.

Dado este pano de fundo, era de se pensar que os ativistas ambientais no encontro do IFG iriam se juntar com os ativistas pelo livre comércio em advocar que os ministros do comércio reunidos em Cancun trabalhem para eliminar este subsídios danosos dos países ricos. Ao invés disso, vários participantes na conferência da IFG defenderam que o mundo vá em direção de agricultura de subsistência com pouca tecnologia. O ambientalista hindu Vandana Shiva disse sabiamente para os ativistas da IFG que "a agricultura doméstica na Índia foi destruída por subsídios agrícolas e dumping dos países ricos." Entçao ela rapidamente se afastou desta observação razoável e partiu para dogma ambientalista impensado. Sua solução não era eliminar subsídios e abrir o mercado alimentício. Ao invés disso, ela quer que fazendeiros hindus rejeitem a Revoluão Verde que quadruplicou a produção de grãos da Índia nas últimas quatro décadas e voltem para produção agrícola em pequena escala. Esta é uma receita para a fome.

Will Allen, um fazendeiro orgânico americano, notou no encontro do IFG que nos EUA, apenas 9% dos fazendeiros recebem cerca de 80% dos subsídios, logo os subsídios também não estão ajudando os pequenos fazendeiros americanos. Mas ao invés de defender o fim dos subsídios, Allen declarou que "nós defendemos que haja subsídios pelo mundo todo para converter a agricultura em agricultura sustentável." Agricultura sustentável para Allen é agricultura orgânica, que é menos produtiva que agricultura tradicional ou biotecnológica. Produtividade menor significa mais insegurança quanto à alimentação e mais terras naturais como florestas devastadas para se criar campos de plantio. De acordo com o Grupo de Consulta sobre Pesquisa Agrícola Internacional, o principal fator que leva ao desflorestamento em países em desenvolvimento é "fazendeiros pobres que não tem outra opção para alimentar suas famílias além de cortar e queimar uma parte da floresta... agricultura de corte-e-queimada resulta na perda ou degradação de 25 milhões de acres de terra por ano."

Aparentemente, muitos ativistas ambientais preferem que fazendeiros pobres e suas famílias permaneçam no trabalho opressor e alienante da agricultura de subsistência. O fazendeiro orgânico americano Allen recontou com nostalgia evidente que em 1848, quando químicos finalmente descobriram como usar fertilizantes para aumentar a produção de grãos, 90% dos americanos eram fazendeiros. De acordo com Allen, um século depois 37% dos americanos ainda trabalhavam em fazendas. Hoje, apenas 1% dos americanos são fazendeiros. Os americanos ficaram mais pobres porque abandonaram as fazendas? Dificilmente. Eles saíram das fazendas para se tornar a economia mais rica e tecnologicamente sofisticada da história. Passou a época dos países ricos removerem as barreiras que bloqueiam os países pobres de seguir a mesma trajetória para a prosperidade. A conferência da OMC em Cancun é o lugar para começar.

Ronald Bailey é o correspondente de ciência da Reason e membro associado da International Policy Network. Seus despachos de Cancun estão disponíveis em espanhol no endereço www.hacer.org.  

9.08.2003
  Minha entrevista com Gerald Messadié

Gerald Messadié na minha sala. Fotografado pelo Sebastião Salgado.Eu não consigo achar nada na rede sobre o Gerald Messadié, autor da História Geral do Anti-Semitismo. Não acho entrevistas em inglês ou em português com o autor, pequenas biografias ou referências sobre este livro. Só achei essa foto dele aí. Para sanar esta deficiência, eu decidi entrevistar ele sobre os problemas que tive com o livro. O que segue é a entrevista que fiz com ele na sala de jantar da minha casa, enquanto degustávamos Camembert e Chardonnay.*

Messadié, o senhor confunde a mudança de status jurídico que um judeu ganhava ao se converter ao cristianismo com a sua aceitação pelas autoridades como não-judeu. Isto depois de citar a perseguição que os marranos ou cristãos-novos sofriam. O senhor fez isso por burrice ou porque os fatos contrariavam suas teorias sobre um anti-semitismo exclusivamente teológico?

Veja bem, os fatos do período são desconhecidos. Eu sequer tentei descubrir os fatos. Eu baseei nos meus conhecimentos sobre História do segundo grau, os prefácios de alguns livros que pus na bibliografia e a orelha de um livro do Deleuze. Os fatos não teriam como contrariar minhas teorias.

As pesquisas sobre períodos que o senhor menciona contradizem veementemente suas afirmações. Por exemplo, o senhor afirma que Shakespeare não pode ter conhecido nenhum judeu para ter escrito O Mercador de Veneza, mas a biografia do bardo escrita por Park Honan discute as comunidades judaicas de Londres durante o período elizabetano. Não teria sido o caso de saber algo sobre o assunto antes de falar dele?

Shakespeare faz parte do espírito universal, Francisco. Para falar do gênio de Stratford-upon-Avon, a pesquisa de documentos é uma mesquinharia. Basta assistir as peças que qualquer humanista, qualquer homem tão completo quanto eu, pode falar sobre tudo que se relaciona com ele. Uma pena que eu ainda não tenha conseguido ver O Mercador de Verona. Aliás, sabia que o Shakespeare morreu no mesmo dia que o Cervantes?

Sim, sabia. Diga-me, o mesmo pode ser dito das personalidades nazistas? O senhor afirma que Göering era cocainômano, alegação desconhecida pelos seus biógrafos. É verdade que ele foi morfinômano durante um curto período nos anos 20, e nos anos 40 tomava paracodeína (pílulas para dor com quantidades ínfimas de morfina), mas nada de cocaína.

Não, não, é sério. Um amigo meu me contou isso uns tempos atrás. O gordo era cheirador.

Não, não era.

Bem, eu achei importante falar mal de qualquer jeito dos nazistas. Eram todos monstros, fizeram tanta coisa, que não é mais preciso saber o que aconteceu de verdade para falar deles. Os fatos, meu caro, são irrelevantes. O importante é fazer alegações vazias sobre o Göering, o Goebbels, o Hitler, o Himmler, aquele outro que o nome começa com H, qual era o nome dele mesmo...

Heydrich?

Isso!

Mas o senhor deixa grandes falhas na sua discussão sobre as personalidades nazistas. Alfred Rosenberg, propagandista racista que escreveu O Mito do Século XX (o livro nazista mais importante depois de Mein Kampf), é citado apenas uma vez. Julius Streicher, o jornalista que se declarou inimigo público número 1 dos judeus, está ausente da sua obra. Eles insuflaram o anti-semitismo alemão com força.

Insuflaram nada! Este é o tipo de mito que alimenta teses como o daquele anti-teutônico do Daniel Goldhagen!

Falando nele, é verdade que o Sr. Goldhagen comeu sua irmã Corie atrás do Louvre? Sua fixação com a tese de Goldhagen sobre o anti-semitismo alemão é um grande elogio ao livro dele.

O que é a verdade, realmente? Não acho que eu, você ou o Sr. Goldhagen seríamos capazes de responder a essa pergunta.

Estes não foram os únicos fatos que o senhor ignorou quanto à Segunda Guerra Mundial. A discussão sobre o Holocausto é furadíssima. Quando discutindo a perseguição que os católicos sofreram na Alemanha, equivalente à dos judeus em suas fantasias piradas, o senhor sequer toca nos fatos. Quando falando de anticlericalismo pela parte dos nazis e dos fascistas, nunca fala dos acordos de Latrão, de bispos derretendo suas cruzes de ouro para ajudar a financiar a invasão da Abissínia, coisas assim. Por quê?

Não era relevante para o assunto.

Claro que era.

A reputação de Pio XII foi muito atacada. Se pudesse, ele teria sido um líder aliado tão importante quanto Stalin ou Churchill. Canalhas como o Sr. Goldhagen faz carreira falando mal de D. Eugênio Paccelli. Talvez eu tenha ignorado fatos importantes sobre ele. Talvez ele não tenha salvado pessoalmente 700.00 judeus como eu disse que ele fez. Eu sou católico e ele será um Santo!

O senhor quase não discute perseguições anti-semitas na Rússia. As centenas de milhares de mortos pelos russos brancos durante a revolução, os ataques aos "trotskistas-zinovievistas" e a conspiração dos jalecos brancos passa batida.

Bem, dentro do contexto do 11 de setembro, é importante deixar de atacar os inimigos da América e destacar seus males. Este livro está dentro do meu esforço para combater o imperialismo.

Mas você também não escreveu quase nada sobre anti-semitismo nos EUA. E o livro foi escrito em 1998.

Você não leu o que o professor Foucault disse à BBC? O tempo é um construto social. Na época que eu escrevi este livro, ele já estava se encaixando no contexto de três anos depois.

Caro Messadié, eu gostaria ainda de discutir o completo vácuo que caracteriza suas idéias sobre anti-semitismo no mundo árabe, mas está ficando tarde. Vamos terminar com a frase que mais chamou minha atenção em seu livro: de onde o senhor tirou a cara-de-pau para acusar Aristóteles de ser simpatizante do totalitarismo?

Não fui eu que acusei ele, foi o Roland Barthes. Eu só repeti.

Mesmo que tenha sido o Barthes o primeiro a falar esta asneira, o senhor não sentiu vergonha quando escreveu a frase?

Veja bem, caro Francisco, depois que um autor francês modernoso emitiu um julgamento, ele se torna verdadeiro automaticamente. Meu próximo livro, sobre história da matemática, partirá apenas das explorações de Lacan sobre Topologia. Que Lacan não sabia nada do que estava falando não é relevante, pois as mudanças no discurso alteram os paradigmas sobre os quais se estabelecem a heurística.

Isto não responde a minha pergunta.

Em algum ponto desta entrevista eu respondi suas perguntas?

[* Se eu posso inventar toda a entrevista, também posso inventar que fiz ela bebendo.] 

  Charlie Sheen passou quinze anos se preparando para este filme

Censura Máxima (Rated X), do Emilio Estevez, é um filme mediano que engana bem. O Estevez e o irmão interpretam os irmãos Mitchell, uma dupla que ajudou a empurrar a pornografia para o mainstream nos anos 70, foram fracassando em um turbilhão de drogas, armas e a mais absoluta ausência de noção até que um mata o outro. É, digamos, o lado trash e niilista de Boogie Nights.

Só que nem o modo como Estevez prepara o clímax da história nem os trejeitos estilosos escondem algumas falhas de roteiro e cortes que teriam amadurecido o filme. Aliás, os trejeitos às vezes são demais. Corte impróprio, planos rápidos em P&B, flashes, ângulos estranhos, viagens de iluminação... dava para ter escolhido apenas uma destas técnicas e usado o filme inteiro. Acaba parecendo um daqueles sites de quem recém aprendeu HTML e quer usar todos os recursos. Não é muito, muito grave, mas a minha dica é o seguinte:

Menos é mais, menos é mais

O que acaba diminuindo a estatura do filme é a vontade de encaixá-lo em padrões tradicionais de narrativa. Vou me deter só em dois exemplos:

Mesmo com todos esses defeitos, o filme se salva. Se salva porque a história é interessante e porque tem muita, muita cara-dura. Muita, mas muita cara-dura. O filme mergulha de cabeça no mundo que está mostrando e não mostra qualquer símile de pudicícia na hora de mostrar a cheiraçada constante, alguns orifícios que normalmente não aparecem com tanta clareza na tela -- na verdade, acho que não apareceria com tanta clareza em um filme dos dois pornógrafos que retrata. A escatologia seria uma grande tentação na hora de retratar os realizadores de Por Trás da Porta Verde

  Freiras, freiras, freiras

Deste artigo da Reason sobre anti-catolicismo sai um link sobre um sub-sub-gênero de cinema pouco conhecido: a nunsploitation. Mas esse artigo tem dois defeitos bem graves.

Primeiro, enquanto a discussão sobre A Freira Assassina, ele deveria ter discutido Os Demônios. É sobre um caso real que aconteceu em Loudoun no século XVII e foi popularizado pelo Aldous Huxley em Os Demônios de Loudon. A história de freiras histéricas que se tornaram atração por toda a França, fizeram o Cardeal Richelieu flertar com totalitarismo no fim da vida e levaram à fogueira uma figura histórica das mais ambíguas, o padre Urbain Grandier.

Segundo, o artigo esqueceu de dizer que freiras SÃO malvadas e neuróticas e cheias de bizarrices sexuais. Histórias de madres superioras que seduzem jovens noviças, põem hormônios sexuais na comida para acabar com a libido dentro de um convento, torturam umas às outras psicologicamente... não são exageros nem se limitam apenas àquela cadela da Madre Teresa de Calcutá. Esses casos são comuns, mas eu não entendo bem o motivo.

Desconfio que tem a ver com a diferença no modo de recrutamento entre padres e freiras. Os guris chegam cedo no seminário e só se tornam experientes se quebram seus votos de castidade. Por causa disso, os casos de crimes sexuais cometidos por padres têm mais a ver com jovens confusos e perdidos no serviço. As freiras, no entanto, muitas vezes fazem seus votos depois de terem ficado para titia por serem velhuscas frustradas (isto é parte do motivo da idade média das freiras estar na terceira). Então, ao invés de uns poucos casos isolados, temos aquele clima de repressão e santidade auto-conferida que leva a abusos.

Isso não explica nada, no entanto. É apenas uma generalização grosseira. Talvez uma explicação melhor, muito para o desgosto do autor do artigo sobre nunsploitation, é que a privação da vida da clausura é parecida com a da vida na prisão, e os abusos que acontecem nos conventos são semelhantes àqueles nas prisões femininas. 

9.07.2003
  Assim é demais

Eu já estava começando a levar na boa o fato deste blog ter duplicado seu número de visitantes apenas com a quantidade absurda de pessoas atrás de candidatas ao governo da Califórnia peladas. Só que ser achado por "galinha cagando é demais. É demais.

Até perdi a vontade de elogiar Tratamento de Choque pelas risadas, apesar do Deus Ex-Machina atroz. 

9.05.2003
  O que é essencial para a Vertigo?

Ir às compras hoje significou gastar uma graninha com pornografia vitoriana, memórias do Holocausto e ficção científica da boa. Mais importante, no entanto, significou comprar uma das pedras fundamentais da transformação das histórias em quadrinhos em uma forma de arte:

The Swamp Thing nº 21. Reimpressão em Essential Vertigo nº 1, neste caso. Em português está em uma das primeiras edições de Novos Titãs.

Há pouco que pode ser dito sobre essa história que ainda não foi. O modo sutil como o vilão com o nome mais idiota dos quadrinhos narra a autópsia do Monstro do Pântano, deixando entrever sadismo e amoralidade. O ritmo frio e a arquitetura surreal do prédio. A questão metafísica postulada pela revelação que aguarda o protagonista. Tudo já foi dito. Meu aspecto favorito é a maestria narrativa. Observa:

Página 15. Belo sorriso, não?

Em tempos em queo clã Moore só produz demagogos de esquerda e de direita, é bom lembrar do Alan. 

  No Prelo

Daqui a uns dias vou terminar de ler História Geral do Anti-Semitismo, do Gerald Massadié, e farei comentários por aqui. O assunto do livro me interessa muito, e quando minha namorada me deu ele de presente achei ótimo. Uma pena que ele está se mostrando um lixo. Por enquanto, uma boa leitura sobre o assunto é How to Talk About Israel, uma reportagem na NY Times Magazine. Uma passagem em particular me chamou a atenção:

This is highly revealing. What Henry Jackson, Richard Nixon, Ronald Reagan, Ariel Sharon, Benjamin Netanyahu and George W. Bush have in common is that they enabled bookish men to feel tough, beautifully, enviably tough. Too much can be made of the connection between the Chicago philosopher Leo Strauss and officials in the current Pentagon, but one aspect of Strauss appears to have rubbed off on them. Born in Germany, Strauss was a liberal rationalist in his youth. He had hoped, he said, that anti-Semitism would end with Jewish assimilation in a liberal democracy. The Nazis taught him otherwise. By the 1920's he began to regard liberals as weaklings, powerless to stop the violent mob. If one thing ties neoconservatives, Likudniks, and post-cold-war hawks together, it is the conviction that liberalism is strictly for sissies.

Esse parágrafo toca bem nas minhas preocupações políticas dos últimos meses. Eu não sou um neo-con, mas meus correligionários na esquerda me envergonham sendo, como o artigo põe muito bem, "sissies". 

9.04.2003
  O Gato no Capacete de Batalha

Remédio para quem já espera ficar desapontado com a adaptação do Mike Myers de "The Cat in the Hat": Dr. Seuss Went to War, com cartoons políticos do mestre da rima. Link cortesia do Cagle

  Pelo menos rola uma grana

Esta semana está sendo um projeto para me tirar do marasmo inútil.

Começou com um serviço tradicional de tradução, onde este pobre rapaz traduz termos de oftalmologia veterinária por um salário de fome. A essa altura, já deve ter um volume de artigos sobre oftalmologia e odontologia veterinária no meu laptop grande o suficiente para fazer um volume de QUALIDADE.

Como o serviço aí parecia muito intelectual, entrei para o trabalho escravo de preparar a mala-direta da firma do meu pai. Algumas poucas milhares de folhas foram largadas em cima de mim e do meu irmão para serem dobradas. Em uma tarde, dobramos umas duas mil. Liguei para o meu pai, contente com o fim do serviço -- e ele me comunicou que a gente ainda tinha que colar os endereços nos impressos.

Eu ACHEI que ia rolar umas etiquetas adesivadas por mais umas horas, mas o corte de gastos fez com que o sistema seja o seguinte: pequenas folhas de papel xerocadas das velhas listas de endereço, coladas com um genérico de TENAZ. Deu para fazer todo o Maranhão, Pará, os dois Matos Grossos e Pernambuco. Único entretenimento da função: tem uma paróquia na cidade de EXU, em Pernambuco.

Para completar, entrei de volta na academia pela terceira vez. Estava mais do que na hora. Infelizmente, setembro é a época em que todas as mulheres GORDAS demais, MAGRAS demais, FEIAS demais ou INSEGURAS demais entram para a academia. Logo, só consegui fazer minha avaliação física hoje.

Desde minha última avaliação, eu ganhei vários quilos de massa de gordura, e perdi uns dois quilos de massa muscular. Então antes de eu virar um fracote mirradinho no corpo de um gordo escroto, vou ver se mexo minha bunda gorda.

Não que eu vá perder os DEZESSETE quilos que preciso para chegar no meu peso ideal, claro. 

9.02.2003
  Eu Votaria Nela Antes do Bustamante

Ah, ironia!
Mary Carey pelo menos não simpatiza com fascistas chicanos.

Para os que se animaram quando viram o blog da Garota Buttman, notem que Ms. Carey também tem seu blog. Extrato do último post:

I also did a speach on Heart Disease at UCLA. That was pretty interesting. On friday I did a debate on the Weekend flash for Playboy TV. I hate the ugly host girl. She is such a bitch and she is super ugly. Other than that the show was great.
 
  Gostaríamos de Informá-lo de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias II -- Missão Coréia

Mais um para aquela longa série de jornalistas afudê que esse nosso paisinho de merda não consegue produzir é o Philip Gourevitch. O trabalho dele sobre Rwanda é incrível. Por essa entrevista na New Yorker, torço que essa pesquisa vire o terceiro livro do rapaz. (Link via Instapundit.) 

  The world is definetely doomed

Hoje, a Reason fala sobre como Buffy mandava ver. Está se juntando aos loas de revistas tão disparatadas quanto a Slate, a Weekly Standard, a Salon. Enquanto isso, eu amargo dez dias extras de espera pelo boxed set da terceira temporada por "problemas de produção". 

9.01.2003
  O Jornal da Companhia

Um dos sinais que o mundo está prestes a acabar é que a CIA tem uma das melhores revistas da web. Center for Studies of Intelligence: Studies in Intelligence tem artigos bons, causa polêmica e ainda oferece momentos divertidos. Por exemplo, nesta crítica de um livro de J. Persico sobre os serviços de inteligência durante a Segunda Guerra:

Persico also describes Donovan's less successful sides. His incompetence as an administrator greatly reduced the OSS's effectiveness. He also was a man who continually generated hare-brained operational schemes—a few weeks after Pearl Harbor he proposed immediately invading Japan with 15,000 commandos and, later, suggested bombing enemy water supplies with human feces.

E tem senso de humor! Meu Deus, se a esquerda festiva descobre que a CIA tem senso de humor, partidos inteiros desmoronam. Olha essa passagem em uma outra crítica, dessa vea de um livro chamado A Guerra Fria Cultural:

For Saunders, however, the CIA's "interference" was much more invidious. She writes that, "The real point was not that the possibility of dissent had been irrevocably damaged...or that intellectuals had been coerced or corrupted (though that may have happened too), but that the natural procedures of intellectual enquiry had been interfered with." And, "Whilst Encounter never shrank from exposing the useful lies by which communist regimes supported themselves, it was never truly free itself of the `bear trap of ideology,' of that pervasive Cold War psychology of `lying for the truth'." Encounter "suspended that most precious of western philosophical concepts—the freedom to think and act independently—and trimmed its sails to suit the prevailing winds." I must admit that as I read such passages, I kept thinking "those poor stupid intellectuals."

Eu não consigo imaginar outra revista cujo assunto é história em melhor posição para fazer revelações bombásticas. Infelizmente, duvido que a CIA esteja a fim de revelar suas próprias merdas. Não faz mal: é para isso que servem todas as outras revistas do mundo (com exceção de algumas do Rupert Murdoch). 

8.31.2003
  A Vingança de Godzookie

O Boomerang é o canal de desenhos mais psicodélico que existe. A coisa toda grita consumo-irônico-pós-moderno-Geração-X-Y. Desconfio que o canal 57 será a nova mania dos que se recusam a crescer.

Da minha posição de estudante de publicidade emburrado com seus conhecimentos sobre o assunto, desconfio que o novo canal nasceu de dois fatores. Primeiro, o Cartoon Network tem os direitos de muita coisa que não estava passando. Botar aquilo tudo na ar ao invés de deixar mofando atrás de um banner de cinco metros do Bob Esponja é apenas razoável. Segundo, a famosa tendência à segmentação que faz com que criadores de cada raça canina do Dobermann ao Havanês tenha sua própria publicação mensal com mais anúncios matriomoniais que um jornal mormonita tradicional. De um tacada só dá para aproveitar o estoque que estava parado e fortalecer a marca Cartoon Network, separando-a dos desenhos velhos e ligando-a a essa leva de desenhos que veio depois d'O Laboratório de Dexter. 

8.30.2003
  Avast, Ye Bony Lads!

É uma pena que minhas memórias dos Piratas do Caribe lá no parque do Seu Walter estejam fraquinhas, porque meu gosto por trivia teria se saciado por semanas.

Quanto ao filme em si, meus medos de que os 142 minutos fossem cansativos e fossem fazê-lo se arrastar, instigados pelo David Edelstein, felizmente não se confirmaram. Isso não significa que ele é magnífico -- é regular summer fare, bem-executada e tudo mais, mas não vai ressucitar esse gênero tão mal-afamado que é o filme de pirata. Agora, com licença que vou praticar o meu sotaque

8.29.2003
  Resultado da Guerra Fria:

Clique na foto para ver a placa em uma imagem mais legível
(Via Instapundit)
 
  Solidariedade Proletária

Quem disse que o movimento sindical internacional está desunido? Seguindo o augusto exemplo das nossas universidades federais, os servidores de Yale estão entrando em greve.  

8.28.2003
  Então eu não estou na conspiração...

Via Hit & Run: faça o teste para saber se você é um neo-conservador. Eu fiquei como realista. Gostaria de saber como meus amigos liberais, socialistas, social-democratas, etc., se qualificam. 

  To Do

Agora que eu estou oficialmente de férias, vou tentar acabar com meu semi-analfabetismo artístico-cultural. Pelo menos metade da lista abaixo deve ser sanada para que eu deixe de ser um ignorante absoluto:

  1. Assistir Os Sete Samurais e Ran. O último, pelo menos, eu já comprei.
  2. Ler alguma coisa escrita por um francês sem reclamar de cinco em cinco minutos. Deve haver ALGO saído daquela terrinha que me agrade.
  3. Passar um dia inteiro sem sentar na frente do PC ou da televisão.
  4. Resistir à vontade de rabiscar no caderno um post para o dia seguinte sobre a experiência;
  5. Ler A Metamorfose. Em uma sentada, feito gente.
  6. Visitar um museu e aprender a passar mais de três segundos olhando para cada tela.
  7. Convencer de duas a cinco pessoas que quando o governo americano derrubou um ditador chamado Hussein Al-Tikriti, o Destruidor, o mundo deu um passo para frente.
  8. Assistir Clube dos Cafajestes e Porky's. Se der tempo, Curtindo a vida adoidado.
 
8.27.2003
  Eu disse, eu disse

Quando eu comprei o CD do VII Seminário Internacional de Comunicação, a primeira coisa que eu disse é que parecia feito no Word. Parece apenas aporrinhação de estudante de publicidade, mas se mostrou profético. Dentro do CD estão apenas alguns poucos arquivos .doc, um para cada Grupo de Trabalho, contendo os artigos apresentados. Nada mais. Eu sei que o CD foi preparado de última hora, mas isso é ridículo. 

8.26.2003
  Freud não ia gostar de ouvir isso

Excelente esta matéria no WaPo sobre os trabalhos científicos desenvolvidos pela bisneta do Trotsky. Os estudos dela parecem indicarque aquela outra grande exportação colombiana, à longo prazo, acabam com as sensações de prazer ao diminuir a quantidade de receptores de dopamina.

O que faltou na matéria foram imagens dos trabalhos dela. Sim, a foto dela pensativa junto de um de seus quadros é bonita. Sim, ela é simpática. Só que todo o fascínio dela com o neurologia partiu de uma técnica chamada brain imaging. Dava para ter pegado uns gifs de cérebros de drogaditos emprestados. O que aconteceu com aquele amor pelo infográfico que acometeu o jornalismo uns dez anos atrás? 

  Mcademia Nuts

Apresentei hoje um trabalho no VII Seminário Internacional de Comunicação lá na PUC, em conjunto com a minha orientadora e o Douglas. Tudo saiu bem, apesar da minha presença e do quase surgimento de palavras como "paradigma" em comentários de tom relativista. Isso feito, meu último trabalho estando entregue, só sobraram duas coisas desse semestre acadêmico.

Primeiro, tem o curta-metragem que estamos fazendo em uma cadeira. A essa hora o som deve estar sendo editado, e semestre que vem haverá o lançamento. Se acontecer do modo como todo lançamento de curta-metragem deve ser realizado, terá Totosinho em abundância.

Depois, é o maldito Salão de Iniciação Científica, que sou obrigado por lei a me apresentar. Nunca fui em um Salão, mas imagino que vou sentir o oposto do que senti hoje. Lá na PUC, pensei bem das minhas capacidades: meus raciocínios e minha capacidade de debate não fizeram feio entre os doutores e mestres presentes. Em compensação, no Salão vão estar estudantes de ciência DE VERDADE, como Medicina e Engenharia Elétrica, apresentando trabalhos úteis para a humanidade. Enquanto isto, estarei discorrendo sobre o jeito que o Grande Otelo ronca em uma cena e mexendo no software do mal.

Pelo menos o Douglas vai estar lá de novo, para compartilhar a humilhação que não apareceu desta vez. 

8.24.2003
  Bem, vamos ver o que Sitemeter e o Google acham disso

Andam achando esse blog atrás de fotos nuas de uma certa candidata ao governo da Califórnia. Bem, aqui estão: fotos de Mary Carey nua. Oops, não, não aí. Aqui, aqui. Assim que eu achar umas simpatias para aumentar o tamanho do pênis, posto aqui. 

8.23.2003
  Saindo no Papel

Aquela entrevista com o Larry Flynt que eu traduzi foi publicada na Fraude. Massa. Meus comentários sobre o Flynt, seguindo a entrevista, estão aqui

  Lawn

Acabo de voltar de Gramado, onde está acontecendo um festival de cinema. Segunda quem entende do assunto, está pobre esse ano porque estatais seguraram verba na transição de governo, issos e aquilos. Não importa. O objetivo não era esbarrar em cineastas e cinemeiros, era encontrar minha namorada que está se divertindo com seu crachá de imprensa.

A única coisa produtiva da minha passagem pela cidade foi ver o Hugo Carvana falando do filme novo dele, Apolônio Brasil, que eu não vi. Aliás: Hugo Carvana, Mestre. Durante o debate, contou uma história bizarra sobre o cérebro do Euclides da Cunha desfilando em carro aberto, agüentou bem os "depoimentos" de quem devia estar fazendo perguntas e ainda falou do seu tipo de mulher (parecido com o meu, diga-se de passagem).

Na viagem de volta, dando prosseguimento ao meu gosto por paleo-pornografia, terminei de ler Fanny Hill, do John Cleland. Minha estimativa pessoal é que em 2011, quando Hollywood começar a mostrar penetração, uma adaptação bem fiel vai ser produzida.  

8.22.2003
  "Olha o Fábio Assunção!"

Vou-me a Gramado. Como tenho que terminar o último trabalho do semestre e preparar uma apresentação para o VII Seminário Internacional de Comunicação (onde vou tentar, junto com o Douglas, não passar muito feio), devo voltar ainda essa noite com comentários sobre minha rápida passagem por aquela vila-Potemkin serrana. 

  Sem Noção

Via The Volokh Conspiracy: um grupo de egípcios exilados na Suíça e uma faculdade de direito egípcia pretendem processar TODOS os judeus do mundo por terem roubado ouro egípcio. Pelo menos, essa é a acusação. Parece piada, mas não parece. A matéria relevante sobre o assunto está aqui. Vamos ver se eles não tentam processar por racismo também. 

8.20.2003
  Stop the Presses!

Parece que a Salon está voltando à velha forma. Na capa de hoje, uma resenha do último livro de Chuck Palahniuk, o escritor mais pescoçudo da América. Falando mal, muito mal. Atirando aos leões e xingando muito. 

  Poder do Espírito Humano

'Who bloody farted?'

Não é uma beleza que o Guardian tem uma editoria chamada silly

8.19.2003
  Notícias

Vamos ver se agora que morreu um brasileiro no Iraque, um cara decente e graduado, a nossa imprensa para de chamar os jihadistas, ba'athistas e e outros filhodaputistas aterrorizando o país de "resistência". Mais: vamos ver se acaba também o puxa-saquismo em volta do presidente e começam discussões sérias sobre a política social.

As boas notícias do dia são que os partidos ba'athistas da região estã esgotando seus recursos. Na Jordânia, o partido está prestes a declarar falência. Gastou grana demais mandando gente para o Iraque em programas de intercâmbio fascista. No Líbano, os pan-arabistas estão fugindo porque não tem grana para pagar os profissionais que contrataram para fazer manifestações espontâneas contra a invasão imperialista do Iraque. 

  Trabalhos Perdidos da Burrice

Eu sou a favor da transposição das peças de Shakespeare no tempo e no espaço. A versão do Baz Luhrmann para Romeu e Julieta é a minha favorita. Eu adoraria ter assistido o Macbeth Voodoo do Orson Welles no Harlem, ou o Júlio César feito no estilo do comício de Nuremberg (tudo antes dele fazer Kane). O Ricardo III fascista que passou domingo na Fox é uma adaptação particularmente difícil -- depende de um exagero histórico e da quebra constante da quarta parede -- e ainda assim funciona bem. Um artigo na falecida Lingua Franca falava sobre adaptações pornográficas de Shakespeare e eu fiquei com honesta curiosidade de assistir A Midsummer Night's Cream, com a Nina Hartley de Titânia. Era uma peça erótica, e uma adaptação pornô caberia para os gostos modernos. Diabos, eu gosto até de Dez Coisas que Odeio em Você.

Isso, no entanto, é uma afronta. Prestem atenção nas capas. São sacrílegas. É um insulto

 

Larry Flynt, um pornógrafo que se importa

(Eu tenho alguns comentários sobre essa entrevista depois dela. Se quiser pular a entrevista e ler meus comentários -- sabe-se lá por qual motivo -- clique aqui.)

Ele é um pornógrafo e defensor da Primeira Emenda, um zelote na guerra contra a hipocrisia. Agora que está concorrendo a governador da Califórnia, ele diz que um certo astro de cinema devia estar muito, muito nervoso.

Por Michelle Goldberg

Agosto. 14, 2003 | Larry Flynt, o ofegante editor paralítico da Hustler, insiste que sua candidatura ao governo da Califórnia não é uma piada ou um golpe publicitário, como as candidaturas de Gary Coleman, estrela de sitcom dos anos 80, ou da estrela pornô Mary Carey. Ele espera que os californianos olhem além de sua profissão e o vejam como um político sério e viável. Você sabe, tipo o Arnold Schwarzenegger.

Repetindo o slogan de sua breve campanha presidencial de 1983, o multi-milionário Flynt chama a si mesmo de um "pornógrafo que se importa", e diz que é o único na disputa com um plano para resolver o déficit recorde da Califórnia. O déficit é a razão mais tangível para o recall do governador Gray Davis - o estado, mesmo depois do orçamento odiado universalmente que Davis assinou em 3 de Agosto, ainda está U$8 bilhões no vermelho. A solução, diz Flynt, é simples - ele quer legalizar máquinas de jogo e taxar os lucros em 30%, que segundo ele arrecadaria U$3 bilhões por ano. Ele também está sozinho entre os principais candidatos em lidar com o assunto politicamente volátil da imigração ilegal.

Nada disso significa que o democrata de 61 anos tem muitas chances de vencer na eleição de 7 de outubro, em que o republicano Schwarzenegger lidera, seguido pelo vice-governador Cruz Bustamante, um democrata. Mas Flynt contratou pesquisadores para estudar suas chances, e se eles descobrirem que ele pode conseguir 10% dos votos - em alguns cenários, o suficiente para vencer uma disputa com 135 candidatos - ele está preparado para mergulhar nesta campanha com seus consideráveis recursos.

Por um lado, o fato que um homem cujos negócios incluem a revista Barely Legal desdenhe sobriamente de seus competidores frívolos mostra o quão surreal o recall se tornou. Ainda mais estranho é que Flynt sugere que vai atacar Schwarzenegger em sua vida pessoal. Schwarzenegger, é verdade, pode ser atacado por seu uso de esteróides no passado e acusações de abuso sexual, mas Flynt, que está em sua quinta esposa, é o homem que publicou uma capa da Hustler com uma mulher nua sendo atirada em um moedor de carne.

No entanto, do seu próprio jeito, Flynt tem uma ligação tão longa com a política americana quanto os políticos profissionais da campanha. Suas batalhas pela Primeira Emenda, culminando em sua vitória na Suprema Corte em 1988 contra o pastor Jerry Falwell, foram imortalizadas na cinebiografia de 1996 "O Povo Versus Larry Flynt", de Milos Forman. Em 1984, na melhor tradição jornalística, ele recusou uma ordem judicial para revelar quem lhe deu uma fita de segurança embaraçosa para o FBI de agentes disfarçados em um alto golpe de cocaína. De um modo um pouco menos tradicional, ele usou uma fralda da bandeira americana e foi mandado para uma prisão federal.

Durante o impeachment de Bill Clinton em 1998, ele ofereceu um milhão de dólares por informações sobre impropriedades sexuais republicanas. Sua investigação levou à renúncia do próximo presidente da assembléia, Bob Livingston, e a publicação de um affidavit da ex-mulher do deputado Bob Barr dizendo que Barr, um adversário de Clinton ultra-inimigo do aborto, consentiu em seu aborto de 1993 e até pagou por ele. Uma pesquisa em Washington na época mostrou que Flynt era uma das figuras mais populares a sair de toda a bagunça do impeachment.

Claro, nem todas as aventuras políticas de Flynt tinham grandes justificações ideológicas. Em 1974 a Hustler publicou fotos paparazzi de Jaqueline Kennedy Onassis pelada, e Flynt ofereceu U$10 milhões por fotos das gêmeas Bush nuas. Ainda assim, ele consistentemente põe suas políticas libertárias na Hustler - os artigos e editoriais da revista, com suas críticas ferozes de George Bush e da guerra no Iraque, alcançam um público que revistas como a Nation (e a Salon) mal tocam.

Flynt estava em Los Angeles quando a Salon falou com ele por telefone esta semana.

No dia 4 de agosto, você disse para a MSNBC que ainda estava esperando para decidir se ia se esforçar com esta campanha. Você está comprometido em atirar seus recursos nela agora?

Estamos fazendo pesquisas agora. Nos próximos sete a dez dias, nós faremos pesquisas pelo estado da Califórnia, e se as pessoas estão levando minha candidatura a sério e se elas podem separá-la de minha profissão, eu estou preparado para ir até o fim. Se for demais para elas ter alguém com o meu passado no governo, obviamente, eu tenho dinheiro, mas não vou atirá-lo em um buraco negro. Eu quero ver os resultados da minha pesquisa. Se eu tiver 10% ou mais, estou preparado para gastar muito dinheiro e ir atrás do meu concorrente.

Então esta campanha não é só um jeito de satirizar todo o exercício do recall ou de se colocar no debate.

Absolutamente não. Eu não tenho fantasias de grandeza sobre ser governador. Não tem ego envolvido. O estado tem muitos problemas, e eu acho que tenho uma solução, e sou a única pessoa concorrendo que tem um plano para equilibrar o orçamento. Eu expandiria o jogo na Califórnia para permitir máquinas de jogo em cassinos particulares e os impostos provenientes permitiriam facilmente que o Legislativo equilibrasse o orçamento.

Antes de Schwarzenegger entrar na disputa, você disse que a fama de seu nome era uma grande vantagem em um campo tão grande com tantos candidatos tão obscuros. O Schwarzenegger mudou esses cálculos?

Eu acho que tantas ou mais pessoas me conhecem do que conhecem Schwarzenegger. Só que elas preferem um ator a um pornógrafo. Eu não sofro com a fama do meu nome.

Você vai ir atrás do Schwarzenegger do mesmo jeito que foi atrás de gente como Bob Barr?

Eu acho que ele é vulnerável em duas áreas. Primeiro há uma falta de experiência. Eu sou um empresário há 35 anos. A segunda questão é sua vida pessoal.

Você está em posição de atacá-lo sobre sua vida pessoal?

Por favor, compreenda minha posição. Eu não quero ir atrás das pessoas porque estou preocupado com suas vidas sexuais, mas porque se as pessoas levam uma vida pública contrária ao modo como levam sua vida privada, elas são jogo limpo. Eu não tenho esqueletos no armário. Eles estão todos na vitrine. É uma vantagem que tenho sobre meus oponentes.

Ninguém está lidando com o problema de verdade. A grande tensão no orçamento da Califórnia é a imigração ilegal, porque nós temos que pagar benefícios e assistência médica para estas pessoas. Nós temos que fechar as fronteiras de uma vez por todas. Eu acho que o governo federal trabalharia com o governo da Califórnia para fazer isso, mesmo que tenha que chamar a Guarda Nacional.

Essa não é uma posição popular. Sessenta por cento dos eleitores da Califórnia são latinos. [De acordo com o Centro de Pesquisa da UC-Berkeley, 14% dos eleitores da Califórnia na eleição de 2000 eram latinos.] Mas eu não dou a mínima para ser socialmente aceitável. Eu estou mais preocupado em resolver problemas.

Outra coisa que a Califórnia fez nas últimas duas décadas, ela gastou bilhões de dólares em novas prisões para encarcerar pessoas que estão lá apenas por questões não-violentas envolvendo narcóticos. Nós precisamos gastar mais dinheiro com intervenção e bem menos com encarceramento. Custa mais dinheiro encarcerar do que tratar o vício em drogas.

A Califórnia não precisa de imigrantes ilegais? Quem mais vai fazer coisas como colher as uvas e trabalhar de babá?

Essa é a defesa que eles fazem, mas e quanto aos bilhões de dólares que o estado está gastando em educação e benefícios? Eu não tenho certeza se eles se equilibram, mas eu sei que precisamos de imigração organizada. Não há nada de errado com imigração. Este é um país de imigrantes e nós ainda precisamos deles, mas isso devia acontecer ordenadamente, não para qualquer um que pode atravessar a fronteira e arranjar um emprego no dia seguinte.

Você diz que não liga para ser socialmente aceitável, mas você não tem que ser socialmente aceitável para ganhar uma eleição, mesmo por uma pluralidade?

Se você um dia estudar a minha vida ou conhecer pessoas que me conhecem, eu nunca fui politicamente correto. Eu só acredito que há um jeito certo e outro errado de se fazer as coisas. Esta é a razão pela qual eu não me interesso por política. Mesmo que eu fosse eleito, eu não concorreria por outro mandato. Eu consertaria esta bagunça orçamentária e cumpriria o mandato de Davis. Eu vejo política como a arte da transigência, e eu não consigo pensar em nada que valha a pena feito por uma pessoa transigente. Nós tivemos alguns renegados no sistema que conseguiram muito, mas eles foram poucos e muito distantes entre si.

Você fez uma campanha vigorosa contra o impeachment. Esse recall não é semelhante, onde republicanos estavam tentando derrubar os resultados de uma eleição legal só porque eles perderam? Não há algo de anti-democrático nela?

Eu não concordo com isso. Gray Davis não consegue apontar para nada que tenha feito enquanto governador. A única coisa que ele fez de verdade foi deixar uma situação ruim ainda pior. Eu acho que o governador é responsável pela maior parte dos problemas do estado. Não todos, mas a maior parte. Há um recurso onde os eleitores podem fazer o recall e o processo está acontecendo agora. Eu acho que você está vendo é a democracia funcionando.

Mas o quão democrático é quando Davis pode conseguir 49% dos votos, mas ser substituído por alguém que ganhou 10%?

Infelizmente, este é o modo como a coisa está estruturada. Eu aposto contigo que ano que vem o processo de recall vai mudar. Eu não acho que alguém antecipou que ia virar um show bizarro.

A sua candidatura não contribui para transformar o processo em um show bizarro?

Você tenta ficar acima disso, mas é meio impossível de fazer porque seus oponentes são todos parte da briga. Eu acho que pessoas vão começar a cair fora, especialmente pessoas sem grana. Eles vão começar a cair pelos lados e só vai sobrar uma meia dúzia no dia da eleição.

Se você for até o fim, que tipo de campanha vai fazer? Pretende fazer alguma das surpresas que o deixaram famoso?

Eu faria uma campanha tradicional com uma mensagem bem simples. Existem programas que precisam ser modificados e coisas que precisam ser feitas para se equilibrar o orçamento. Não ia haver trucagem nela. Eu tenho umas idéias bem simples que iam funcionar.

Quais são seus pensamentos sobre a cena política maior neste país? Você tem sido um crítico feroz de Bush - quanto dano você acha que ele está fazendo à América?

Eu não sou apocalíptico. Nas últimas três décadas o pêndulo foi para frente e para trás. O Partido Democrata tem muitos problemas agora, mas eu acho que eles eventualmente vão pôr a casa em ordem. Eu acho que Bush fez vários erros, principalmente com o corte de impostos e a invasão do Iraque, e eu acho que eles podem ser seu fim. Mas eu não gosto de previsões em política porque eu sei o que dizem, uma semana é uma vida inteira em política.

Se você não for até o fim, que outros candidatos você apóia?

Arianna [Huffington] é uma boa amiga e eu a apoiaria em um segundo, e se eu decidir não concorrer eu ofereceria meu apoio para ela.

Mas então, se você apóia ela, por que você mesmo vai concorrer?

Ela não está colocando a mensagem que eu estou colocando, e eu acho que a minha mensagem é importante. Talvez ela mude no meio do caminho.

Se você diz que não está fazendo isso por ego ou para avançar a sua ideologia, por que está fazendo isso? O que o faz se importar tanto com as finanças da Califórnia?

Eu disse no começo, eu sou um pornógrafo que se importa. Eu me importo com os mesmos maus sociais que todos nós, e eu não acho que porque alguém tem uma profissão que pode ser considerada indecente isso tem muito a ver com sua habilidade de ser governador.

Eu sempre fui um animal político. Eu sempre me interessei, toda minha vida adulta. Eu só vejo a Califórnia tendo alguns grandes problemas e ninguém está lidando com eles. Se as pessoas querem ouvir, ótimo. Se elas não querem, pelo menos eu fiz a minha parte.

(Esta entrevista com Larry Flynt foi feita pela Salon. O original dela está aqui.) 

8.17.2003
  Porque Não Voto Em Larry Flynt

Primeiro, porque eu não sou americano, muito menos californiano. Não perdi isso de perspectiva. Esse post é sobre outra coisa. É conseqüência da entrevista com Larry Flynt acima.

No meio da bagunça que é o processo de recall na Califórnia, um candidato famoso salta à mente como o favorito. A gente viu ele no cinema e acha divertida a idéia do cara ser governador.

Estou falando do Larry Flynt, claro.

Depois de dar uma olhada no que o Flynt pretende fazer com a Califórnia, o cara perdeu qualquer chance de ganhar meu voto hipotético. Os motivos são os seguintes:

Tudo bem que o Cagle ia adorar, mas desse jeito não dá. 

8.16.2003
  Pauta de Graça

Eu tive uma boa idéia para uma pauta, mas não consigo achar um jornalista que concorde comigo! Olha só: uma reportagem sobre adultos que ainda chupam bico. Certo que poderia dar uma bela matéria para uma Salon ou Slate da vida.

Nem é uma matéria difícil de fazer. Primeiro, procura-se algum conhecido que tenha esse hábito. A mãe ou a vó devem saber de alguém. Depois, fala-se com um psicólogo ou outro. Daí junta com aquele caldeirão de diversão que é a internet e busca alguma coisa na lista do do Yahoo! sobre o assunto. Dá para ligar também com adultos que chupam dedo.

De ilustração, basta catar a foto da Elizabeth Hurley chupando bico que uns tablóides tiraram três anos atrás. 

  The Best of Idi Amin

Tenho impressão que os jornais não sabem que bizarrice escolher na hora de mostrar o quão pirado era o falecido Idi Amin Dada. Seleções:

Isso sem contar, claro, o canibalismo, que é necessário para se fazer um ditador africano BEM pirado. E ainda tem certas pessoas que acham que o amador Pol Pot foi o melhor ditador. Ele nem passa da semi-final

  Baghdad Broadcasting Corporation

Josh Chafetz, um dos caras do excelente OxBlog, tem um artigo sobre a BBC lá no Weekly Standard. Uma prévia:

THE WAR IN IRAQ has left in its wake a string of embarrassments for the BBC that have many questioning its privileged status. Throughout the war, the BBC was consistently--and correctly--accused of antiwar bias. These accusations began almost as soon as the fighting did, when the BBC described the death of two Royal Air Force crew members, after their jet was accidentally downed by a U.S. Patriot missile, as the "worst possible news for the armed forces." On March 26 (less than a week into the fighting), Paul Adams, the BBC's own defense correspondent in Qatar, fired off a memo to his bosses: "I was gobsmacked to hear, in a set of headlines today, that the coalition was suffering 'significant casualties.' This is simply NOT TRUE." He went on to ask, "Who dreamed up the line that the coalition are achieving 'small victories at a very high price?' The truth is exactly the opposite. The gains are huge and costs still relatively low. This is real warfare, however one-sided, and losses are to be expected." Outside critics were even blunter: They revived the nickname "Baghdad Broadcasting Corporation," a coinage from the first Gulf War, when BBC broadcasts from the Iraqi capital were censored by Saddam's government without viewers' being notified.
 
8.15.2003
  E ainda reclamam dos "vc" e "tc"...

O spam de ICQ está chegando naquele nível de ridículo que deixa de ser incômodo e vira diversão. Eu acabo de receber a seguinte mensagem:

Olá, Cisco;
CONHEÇA NOSSAS KAMERAS EROTTICAS 24 HS ON LAINE!
XOUS AO VIVO!! - TTOTTALMENTE GRATTUITTO!
ASÉCE O SAITE:
PAULA . FR . VU

Desconfio a ortografia heterodoxa seja uma tentativa de burlar filtros bloqueando palavras específicas, mas não postularia uma explicação lógica como certa para ESSE tipo de bizarrice. 

  Lady Camiseta Negra

Morreu a viúva de Sir Oswald Mosley. Como toda fascista, já vai tarde. Leiam o obituário do Daily Telegraph. O do Guardian, uma mini-biografia, é mais esclarecedor. Pinta uma vida que lembra a da Frida Kahlo, dentro de uma família onde suas bizarrices não eram exceção.

Não é, no entanto, tão charmoso quanto do Telegraph, que é engraçado sem ser mórbido, simpático sem uma gota de fascistofilia.  

8.14.2003
  Laranjas e maçãs ou figos e romãs, tanto faz

Eu sempre desconfio de histórias de "multi-culturalismo". Geralmente vira um festival de culpa burguesa, culpa branca, culpa masculina, culpa hetero, etc. Isso quando não descamba para preconceitos bizarros, como as infames acusações de "Física de judeu" dos anos 30. Mas está aqui um exemplo de multi-culturalismo interessante: Etnomatemática. Ao invés de tentar relativizar a veracidade de proposições matemáticas à cultura, como o título faz parecer, é uma abordagem pedagógica. Sendo um verniz diferente para a matemática, não uma tentativa de alterar seus fundamentos. Os revisionismos na História da Matemática são mais problemáticos e perigosos, mas não são centrais à idéia. 

  É Bom Ter Irmãos Que Compartilham Interesses

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País: Brasil  

  Sensível

Gostei de Embriagado de Amor. Gostei e não recomendo. Não recomendo por egoísmo -- acho difícil de acreditar que outras pessoas vão se sensibilizar com um filme que parece feito com as minhas neuroses e idiossincrasias em mente. 

8.13.2003
  You might as well read

Para relaxar das leituras pesadas deste último mês, comprei um romance de detetive. Como minha personalidade segue o título deste blog, comprei um em que a investigadora é Dorothy Parker e o elenco de apoio saiu bêbado da Távola Redonda do Algonquin. Estava esperando revisitar o ambiente de Mrs. Parker e o Círculo do Vício e ainda ver umas coristas esgüeladas.

Só que não dá para confiar no George Baxt para deixar Um caso de polícia para Dorothy Parker apenas um mistério amargo e witty com referências às celebridades literárias nova-iorquinas. Não, ele tem que explicitar que ele escrevendo um mistério amargo e witty com referências às celebridades literárias. Os personagens perguntam um sobre os outros como adolescentes risonhas no Festival de Gramado. Acontece que a diferença entre "Olha o Fábio Assunção!" e "Olha o Robert Benchley!" é que a segunda pessoa se acha melhor que a primeira.

O recurso de utilizar pessoas reais em um romance tem vantagens imediatas. Os personagens secundários tem vida própria pré-estabelecida e não atrapalham o ritmo da narrativa mesmo sendo a coorte que é neste romance. O espaço -- Nova Iorque -- está caracterizado para qualquer um com TV nos últimos 70 anos. E ter Mrs. Parker (e Alexander Woolcott) de protagonistas serve de introdução para cada quip do autor. A gente já espera que cada frase tente morder o interlocutor.

A pior falha, no entanto, é o personagem misterioso da história: um milionário de passado obscuro chamado Lacey Van Weber, envolvido com traficantes, que dá festas animadíssimas em sua mansão em East Cove. Fica óbvio para quem conhece F. Scott Fitzgerald que Van Weber é O Grande Gatsby. Só que lá pela página 70 o autor diz isso explicitamente. Não precisava! Este recurso serve para recompensar os leitores inteligentes o suficiente para entender as semelhanças. Quando o autor diz com todas as letras que o personagem está se moldando em Jay Gatsby, trata seus leitores como burros.

Enfim, não é um mau romance. É interessante. A cena inicial, onde Dottie está entediadíssima enquanto corta os pulsos, é ótima. Algumas das tiradas de Mrs. Parker & Cia. são wit genuína. Só faltou um editor para dizer ao Baxt "para de exagerar" e "não te fresqueia". 

8.12.2003
  "Sometimes your mind can be so open, your brain falls out"

Do arquivo da Salon, da época que não tinha que passar por sete anúncios para ler um artigo chato: pais hippies de merda. E eu achava que MEUS pais não sabem impor limites. 

  Momento "Ignorância em Branding"

Julius Streicher era um nazista tão terrível que, quando estava preso em Nuremberg, os outros prisioneiros o evitavam. Era um imbecil (seu QI era de 102 -- isso com 20 pontos extra por causa da idade) que falava abertamente em extermínio dos judeus. Aí no lado tem um link entitulado "German Propaganda". O material ali dá uma boa idéia da demência do cara.

Jornalista, sabe como é.

Então, quem foi o publicitário que deixou uma loja de equipamento policial se chamar Streicher?

(Aliás, alguém já viu isso para vender por aqui? Não tem nem no site da Cultura.) 

  "Your future awaits you no matter what"... yeah, right

Já está rolando o trailer de Paycheck, adaptado de um conto do P.K. Dick. O diretor é aquele china que gosta de por duas armas ao mesmo tempo na mão dos personagens. Duvido que vai sair alguma coisa no nível de Minority Report -- para não falar de Blade Runner -- mas ainda quero ver o produto final. 

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